domingo, 8 de abril de 2007

Orígenes e o Arianismo

AMBIGÜIDADES DA TEOLOGIA DE ORÍGENES

* A teologia de Orígenes podia oferecer argumentos a Ário por sua tendência subordinacionista:

"Dizemos que o Salvador, como o Espírito Santo, transcende todas as criaturas, não por comparação, mas por uma transcendência absoluta; o Pai transcende tato e até mais do que ele próprio e o Espírito Santo transcendem os outros seres, que, no entanto, não são desprezíveis. Ele é, na verdade, a imagem de sua bondade e o brilho, não de Deus, mas de sua glória e de sua luz eterna, o eflúvio, não do Pai mas de seu poder, a pura emanação de sua glória de Onipotente, o espelho sem mancha de sua atividade, [espelho] através do qual Paulo, Pedro e seus semelhantes vêem Deus, pois ele disse: 'Quem me viu, viu o o Pai que me enviou'" (Comentário ao Evangelho de João XIII,151-153).

* Mas Orígenes também refutava antecipadamente as conclusões de Ário:

"De nada na Trindade se deve dizer que é maior ou menor, uma vez que a fonte única da divindade mantém todas as coisas por sua Palavra ou razão, e que ela santifica pelo Espírito (sopro) de sua boca tudo o que merece santificação... Mas existe também, além dessa ação, uma ação própria de Deus Pai, aquela pela qual ele concedeu o ser a todos, segundo sua natureza específica; existe também um ministério próprio do Senhor Jesus Cristo, a respeito daqueles aos quais ele confere, segundo sua natureza específica, a razão; por esse meio, além de ser, ele lhes concedeu o ser em conformidade com o bem. Por fim, existe também a graça do Espírito Santo, concedida aos que são dignos dela; é administrada por Cristo e operada pelo Pai, segundo o mérito dos que dela se tornam capazes. O apóstolo Paulo mostra isso claramente, explicando que a ação da Trindade é única e idêntica, quando diz: 'Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos' (1Cor 12,4-6). Esta frase indica muito claramente que não há nenhuma diferença na Trindade; mas o que é dom do Espírito Santo é administrado pelo Filho e opoerado por Deus Pai" (Dos Princípios I,3,7).

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