sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Aborto: aborte essa idéia
Todos os códigos jurídicos, já há mais de quatro mil anos, condenavam o aborto como homicídio. O Código de Hamurabi (1748-1729 a.C.) castiga o aborto, mesmo involuntário ou acidental (§ 209-214). A coletânea das Leis Assírias (séc. XIX-XVIII a.C.) prevê pena terrível para o aborto intencional: a empalação. Entre os persas o aborto era punido com a pena de morte. Entre os hebreus, o historiador Flávio Josefo relata que o aborto é punido com a morte (Hist. dos Ant. Jud. 1, IV, C. VIII). Na Grécia, as leis de Licurgo e de Solom, e a legislação de Tebas e Mileto consideravam o aborto, crime que devia ser punido.
Na Idade Média
A lei dos visigodos edita penas severas contra o aborto. A repressão se agrava à medida que os séculos avançam. No séc. XIII, na Inglaterra, todo aborto era punido com a morte. Mesmo rigor no tempo de Carlos V (1553). Na Suíça a mulher que abortava era enterrada viva. No Brabante (1230), a mulher que abortava era queimada viva. Na França a pena de morte reunia todos os cúmplices de um aborto. O rei Henrique II da França decretou a pena de morte para a mulher que abortasse. A mesma pena foi renovada por Henrique III (1580), Luís XIV (1701) e Luís XV (1731). O Código penal francês, 1791, determina que todos os cúmplices de aborto fossem flagelados e condenados a 20 anos de prisão. O Código penal francês de 1810 prevê a pena de morte para o aborto e o infanticídio. Depois, a pena de morte foi substituída pela prisão perpétua, além disso os médicos, farmacêuticos e cirurgiões erma condenados a trabalhos forçados. Na Igreja, os Concílios do século III decretaram que a mulher que praticasse o aborto ficasse excomungada até o fim da vida. Depois todos os Concílios mantiveram a pena de excomunhão.
Fonte: O Crime do Aborto
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
O Erro do Bispo de Mopsuéstia
Of the Error of Theodore of Mopsuestia concerning the Union of the Word with Man
BY the foregoing chapters it appears that neither was the divine nature wanting to Christ, as Photinus said; nor a true human body, according to the error of the Manicheans; nor again a human soul, as Arius and Apollinaris supposed. These three substances then meet in Christ, the Divinity, a human soul, and a true human body. It remains to enquire, according to the evidence of Scripture, what is to be thought of the union of the three. Theodore of Mopsuestia, then, and Nestorius, his follower, brought out the following theory of this union.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Hoje, nasceu para nós o Salvador!
Hoje, na cidade de Davi, nasceu para nós o Salvador do mundo, que é o Cristo Senhor! (cf. Lc 2, 11). Esta cidade é Belém, para a qual devemos acorrer, como os pastores fizeram ao ouvir esta notícia. Por isso, costumais cantar (no hino da Virgem Maria): “Cantaram glória a Deus, acorreram a Belém”. E isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura (Lc 2, 12).
Eis porque vos disse que deveis amá-lo. Temei o Senhor dos anjos, mas amai o pequenino; temei o Senhor de majestade, mas amai o que está envolto em faixas; temei o que reina no céu, mas amai o que está deitado na manjedoura. Mas que sinal receberam os pastores? Encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura. Ele que é o Salvador, ele que é o Senhor. Mas que há de especial no fato de estar envolto em faixas e deitado numa manjedoura? Não são também as outras crianças envolvidas em faixas? Então, que tipo de sinal é este? Na verdade é um grande sinal, se o soubermos compreender. E havemos de compreender, se não nos limitarmos a ouvir esta mensagem de amor, mas também tivermos no coração a luz que brilhou com os anjos. Foi assim que um deles apareceu com luz, quando anunciou pela primeira vez esta notícia, para sabermos que só os que têm a luz espiritual no coração é que ouvem a verdade.
Muito se pode dizer deste sinal; mas, porque a hora vai adiantada, falarei pouco e brevemente. Belém, a “casa do pão”, é a santa Igreja, na qual se serve o corpo de Cristo, o pão verdadeiro. A manjedoura de Belém é o altar da Igreja, onde as ovelhas de Cristo se alimentam. Desta mesa está escrito: Diante de mim preparas uma mesa (Sl 22 [23], 5). Nesta manjedoura, Jesus está envolto em panos, e o invólucro de panos pode ser comparado aos véus do sacramento. Nesta manjedoura, sob as espécies do pão e do vinho, está o verdadeiro corpo e sangue de Cristo. Cremos que ali está o próprio Cristo, mas envolto em panos, isto é, oculto no sacramento. Não temos sinal maior e mais evidente do nascimento de Cristo do que o seu corpo e sangue que recebemos todos os dias no santo altar; daquele que, nascido da Virgem por nós uma vez, vemos por nós se imolar diariamente.
Portanto, irmãos, corramos à manjedoura do Senhor. Mas antes, preparemo-nos o melhor possível por sua graça para esse encontro, e associados aos anjos, de coração puro, consciência reta e fé sincera (cf. 2Cor 6, 6), cantemos ao Senhor em toda a nossa vida e conduta: Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados! (Lc 2, 14). Por nosso Senhor Jesus Cristo, a quem sejam dadas honra e glória, pelos séculos dos séculos. Amém.
Veio o Senhor de todos sob a forma de servo
De Teódoto de Ancira, bispo
Veio o Senhor de todos sob a forma de servo, revestido de pobreza, de modo a não afugentar os que buscava. Em terra incerta, escolhendo um lugar desconhecido para nascer, foi dado à luz por uma Virgem pobre, na pobreza total, para que pelo silêncio cativasse os homens que vinha salvar. Pois se tivesse nascido na glória, rodeado de muitas riquezas, diriam, sem dúvida, os infiéis, que a transformação da terra fora obra do dinheiro. Se tivesse escolhido Roma, a maior cidade, atribuiriam ao poder dos seus cidadãos a mudança do mundo.
Se fosse filho do imperador, atribuiriam ao poder tal benefício. Se fosse filho de um legislador, atribuiriam-no às leis. Mas que fez ele? Escolheu tudo o que é pobre e vil, tudo que há de mais medíocre e obscuro, para sabermos que só a divindade transformou a terra. Por isto, escolheu uma mãe pobre, uma pátria ainda mais pobre, fazendo-se pobre de bens terrenos.
Isto te é mostrado pelo presépio. Como não havia um berço para reclinar o Senhor, foi colocado numa manjedoura, e sua indigência das coisas mais necessárias tornou-se uma ótima profecia. Foi assim posto na manjedoura para anunciar que se fazia alimento até mesmo dos irracionais. Pois o Verbo, Filho de Deus, nascendo pobre e jazendo num presépio, atrai a si os ricos e os pobres, os eloqüentes e os incultos.
Vede, portanto, como a indigência se tornou profecia, e a pobreza mostrou ser acessível a todos aquele que por nós se fez pobre. Ninguém se deteve por medo das esplêndidas riquezas do Cristo, nem a imponência do poder impediu alguém de se aproximar dele; mas apareceu pobre e comum, oferecendo-se a si mesmo para salvar a todos.
No presépio, o Verbo de Deus se manifesta corporalmente, a fim de que tanto os seres racionais como os irracionais possam participar do alimento da salvação. Penso ser isto que o profeta proclamava, quando falava do mistério do presépio: O boi conhece o seu dono, e o jumento, a manjedoura de seu senhor; mas Israel é incapaz de conhecer, o meu povo não pode entender (Is 1,3). Fez-se pobre por nós aquele que é rico, tornando facilmente perceptível a todos a salvação do Verbo de Deus. Também Paulo o indica, ao escrever: Por causa de vós se fez pobre, embora fosse rico, para vos enriquecer com a sua pobreza (2Cor 8,9).
Mas quem era esse que enriquecia? E de que enriquecia? Como ele se fez pobre por nós? Quem é, dizei-me, que, sendo rico, se fez pobre por minha pobreza? Pensas que foi o homem que apareceu? Mas este nunca se tornou rico, nascido que foi pobre e de pais pobres. Quem era, pois, e de que enriquecia esse rico que por causa de nós se fez pobre? A resposta é: Deus enriquece a criatura. Foi Deus mesmo quem se fez pobre, fazendo sua a pobreza daquele que se podia ver. Pois ele é rico pela divindade, e por causa de nós se fez pobre.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Glory to God in the Highest
Glory to God in the highest
And peace to His people on earth
Lord God, Heavenly King, Almighty God and Father
We worship You
We give You thanks
We praise You for Your glory
Lord Jesus Christ, only Son of the Father
Lord God, Lamb of God
You take away the sins of the world
Lord, have mercy on us
You are seated at the right hand of the Father
Receive our prayer
For You alone are the Holy One
For You alone are the Lord
For You alone are the Most High
Jesus Christ
With the Holy Spirit
In the glory of God the Father
Amen
Laços de Família
Não fosse em tempo assim de calmaria,
não fosse nessa ausência, nesse vento
que não vem, se não fosse este momento,
este momento cheio de agonia,
não fosse aquela brisa, aquele lento
afago, ah, se não fosse por Maria,
se não fosse por ela, quem teria
paciência com tanto adiamento?
Se não fosse por ela, se não fosse
pelo que ela agüentou, pela alegria
que ela embalou perplexa, que ela trouxe
em si e deu à luz e um belo dia
devolveu ao Senhor… Se a espera é doce,
é por causa da calma de Maria.
Bruno Tolentino
domingo, 23 de dezembro de 2007
Mensagem de Natal
Seguirei, conforme minhas pobres capacidades, o exemplo do filósofo Olavo de Carvalho, procurando expor aqui, bem brevemente, meus votos de um feliz Natal aos leitores do Mercabá.
Poderia começar o texto de forma negativa, criticando o consumismo e a sanha da compra de presentes que parecem se sobrepor e substituir o significado original da celebração. Mas não farei isso; ao contrário, convido o leitor a seguir uma linha de pensamento perfeitamente racional e positiva, exposta formidavelmente por Santo Anselmo em Cur Deus Homo.
Comecemos essa escalada ao entendimento da importância da Encarnação por uma operação simples: a classificação das ofensas. Existe, evidentemente, uma hierarquia nos ultrajes e nos insultos, de acordo com o ultrajado e o ofendido. Quanto mais elevado e mais insigne for ele, pior será a ofensa. Assim, o ultraje a um sábio é mais grave que o ultraje a um vagabundo; o ultraje a um consagrado é mais temível que o ultraje a um pulha. Além disso, a cada ofensa corresponde uma reparação própria, tanto mais penosa e dolorosa quanto mais perigosa for a ofensa, e o retorno à amizade com o ofendido torna-se igualmente mais penoso quanto mais temerário for o insulto. É mais difícil reatar uma amizade com alguém que você chamou de imbecil do que com alguém taxado de ignorante, por exemplo.
O que dizer, então, de uma ofensa a Deus? O que seria capaz de reintroduzir o homem na amizade com Seu Criador, se a própria criatura faz o que é abominável a Seus olhos?
Convenhamos que nesse grau de gravidade, nenhum ato humano, nenhuma façanha, nenhum grande gesto, nenhuma proeza seria capaz de pagar as dívidas com Deus. Nem mesmo na soma das capacidades humanas haveria poder suficiente para restituir a amizade ofendida. O único ato que poderia realizar esse resgate seria um ato de amor infinito, anulando uma injúria ilimitada. Mas é óbvio que mesmo o amor de toda a criação seria ainda finito. Como, então, uma alma humana poderia votar a Deus um amor infinito capaz de satisfazer a ofensa?
Tal homem, que amasse a Deus infinitamente e reparasse a abominável injúria cometida, teria de realizar um gesto muito maior do que qualquer ato humano, por dever ser também divino. Apenas o sacrifício de um perfeito homem que fosse inteiramente Deus reataria a amizade humana com seu Criador. Seu ato tinha a obrigação de agradar a Deus tanto quanto O desagradaram as iniqüidades humanas. Ora, essa alma humana a que me refiro não apenas agradou de forma equivalente a Deus, mas superou por imensa vantagem as ofensas. Suas obras, sua vida, seu sacrifício, não apenas nos reintroduziram na amizade de Deus, mas destruíram por completo a nossa covarde submissão ao banho de sangue de sacrifícios inúteis, multiplicados na forma de vinganças, de procura por bodes expiatórios e adoração a falsos deuses. Tal alma humana de uma pessoa divina não apenas satisfez as nossas dívidas, mas nos resgatou da opressão sinistra do pecado e da morte. Refiro-me, evidentemente, a Jesus Cristo.
Gostaria de terminar a mensagem com uma advertência: não se deixe fraquejar pela aparente supremacia dos poderes desse mundo. O sacrifício necessário à satisfação da injúria a Deus já foi feito. Consummatum est.