Cada visita ao Cemitério, mormente em dias sinificativos, desencadeia o irremovível embate entre a Esperança de que Aqueles a Que queremos tenham alcançado a Felicidade e o egoísmo do desejo - em saudade encapotado - de Os termos entre nós. Como permitir a coexistência pacífica da urgência da proximidade terrena com a tranquilidade ancorada na Fé? Uma absoluta unilateralidade repousando na certeza de que Os que nos deixaram foram para Melhor Sítio também não seria estimável, pois demasiada candidez gera insensibilidade. Paradoxalmente a solução está no que já os melhores de nós alcançam: articular a dor sentida como peça rumo ao Ideal Revelado, sem que sofrer permita resvalar para o desespero. Eu ainda tenho muito que andar.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Dia de Finados
Subscrevo o que disse o confrade Réprobo, ao referir-se ao conflito interior que nos vem no Dia de celebrar a Memória de nossos mortos:
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
A beleza da Cruz
De São Teodoro Estudita
Ó preciosíssimo dom da cruz! Vede o esplendor de sua forma! Não mostra uma figura mesclada de bem e de mal como aquela árvore do Paraíso, mas totalmente bela e excelente à vista e ao paladar. É uma árvore geradora de vida, não de morte; ilumina, não cobre de trevas; introduz no Paraíso, dele não expulsa; árvore em que Cristo, qual rei, com bravura sobe e vence o demônio, detentor do poder da morte e liberta o gênero humano da escravidão tirânica.
Sobre esta árvore o Senhor, qual valente guerreiro, ferido durante o combate em suas mãos, pés e lábios divinos, curou as chagas do pecado e nossa natureza ferida pelo mortífero dragão.
Mortos no princípio pela árvore, agora, pela árvore, recuperamos a vida; enganados antes pela árvore, na árvore repelimos a astuciosa serpente. Na verdade, novas e extraordinárias mudanças. Em vez da morte, dá-se a vida; em lugar da corrupção, a incorrupção; do opróbrio, a glória.
Tinha razão de exclamar o santo Apóstolo: “Quanto a mim, não quero gloriar-me a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo!” Pois a máxima sabedoria, aquela que floresceu da cruz, desafia a jactância da sabedoria do mundo e a arrogância da tolice. O tronco de todos os bens, elevado na cruz, extirpou todos os brotos da maldade e da injustiça.
Já as prefigurações desta árvore desde o princípio do mundo foram sinais e indícios de fatos em extremo admiráveis. Veja, quem tem vontade de saber. Noé, com seus filhos e as esposas, e com todas as espécies de animais, não se livrou da morte no dilúvio decretado por Deus numa pequena quantidade de madeira? E a vara de Moisés? Não é figura da cruz? Ora mudando a água em sangue, ora devorando as fictícias serpentes dos magos, ora dividindo o mar com seu toque, ora fazendo voltar as ondas a seu lugar e submergindo os inimigos. Mas sempre salvando aquele povo escolhido. Ainda figura da cruz, a vara de Aarão reverdecendo no mesmo dia, revelando o sacerdote legítimo.
Abraão também prefigurou-a ao pôr o filho amarrado sobre o feixe de lenha. Pela cruz a morte foi destruída e Adão recuperou a vida. Da cruz gloria-se todo apóstolo, por ela todo mártir é coroado, todo justo é santificado. Pela cruz revestimo-nos de Cristo, despojamo-nos do velho homem. Pela cruz, nós, ovelhas de Cristo, nos reunimos em um só rebanho, destinados que somos aos campos celestes.
Ó preciosíssimo dom da cruz! Vede o esplendor de sua forma! Não mostra uma figura mesclada de bem e de mal como aquela árvore do Paraíso, mas totalmente bela e excelente à vista e ao paladar. É uma árvore geradora de vida, não de morte; ilumina, não cobre de trevas; introduz no Paraíso, dele não expulsa; árvore em que Cristo, qual rei, com bravura sobe e vence o demônio, detentor do poder da morte e liberta o gênero humano da escravidão tirânica.
Sobre esta árvore o Senhor, qual valente guerreiro, ferido durante o combate em suas mãos, pés e lábios divinos, curou as chagas do pecado e nossa natureza ferida pelo mortífero dragão.
Mortos no princípio pela árvore, agora, pela árvore, recuperamos a vida; enganados antes pela árvore, na árvore repelimos a astuciosa serpente. Na verdade, novas e extraordinárias mudanças. Em vez da morte, dá-se a vida; em lugar da corrupção, a incorrupção; do opróbrio, a glória.
Tinha razão de exclamar o santo Apóstolo: “Quanto a mim, não quero gloriar-me a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo!” Pois a máxima sabedoria, aquela que floresceu da cruz, desafia a jactância da sabedoria do mundo e a arrogância da tolice. O tronco de todos os bens, elevado na cruz, extirpou todos os brotos da maldade e da injustiça.
Já as prefigurações desta árvore desde o princípio do mundo foram sinais e indícios de fatos em extremo admiráveis. Veja, quem tem vontade de saber. Noé, com seus filhos e as esposas, e com todas as espécies de animais, não se livrou da morte no dilúvio decretado por Deus numa pequena quantidade de madeira? E a vara de Moisés? Não é figura da cruz? Ora mudando a água em sangue, ora devorando as fictícias serpentes dos magos, ora dividindo o mar com seu toque, ora fazendo voltar as ondas a seu lugar e submergindo os inimigos. Mas sempre salvando aquele povo escolhido. Ainda figura da cruz, a vara de Aarão reverdecendo no mesmo dia, revelando o sacerdote legítimo.
Abraão também prefigurou-a ao pôr o filho amarrado sobre o feixe de lenha. Pela cruz a morte foi destruída e Adão recuperou a vida. Da cruz gloria-se todo apóstolo, por ela todo mártir é coroado, todo justo é santificado. Pela cruz revestimo-nos de Cristo, despojamo-nos do velho homem. Pela cruz, nós, ovelhas de Cristo, nos reunimos em um só rebanho, destinados que somos aos campos celestes.
A verdadeira Igreja na autêntica Tradição
De Tertuliano
Cristo Jesus, nosso Senhor, durante a sua vida terrena, ensinou quem era ele, quem tinha sido desde sempre, qual era a vontade do Pai que vinha cumprir e qual devia ser o comportamento do homem. Ensinava estas coisas ora em público, diante de todo o povo, ora em particular, aos seus discípulos. Dentre estes escolheu Doze para estarem a seu lado, e que destinou para serem os principais mestres das nações[1].
Quando, depois da sua ressurreição, estava prestes a voltar para o Pai, ordenou aos onze que fossem ensinar a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Imediatamente os apóstolos chamaram por sorteio a Matias como duodécimo para ocupar o lugar de Judas... Depois de receberem a força do Espírito Santo com o dom de falar e de realizar milagres, começaram a dar testemunho da fé em Jesus Cristo na Judéia, onde fundaram Igrejas[2]; partiram em seguida por todo o mundo, proclamando a mesma doutrina e a mesma fé entre os povos. Em cada cidade por onde passaram fundaram Igrejas, nas quais outras Igrejas que se fundaram e continuam a ser fundadas foram buscar mudas de fé e sementes de doutrina. Por esta razão, são também consideradas apostólicas, porque descendem das Igrejas dos apóstolos[3].
Toda família deve ser necessariamente considerada segundo sua origem. Por isso, apesar de serem tão numerosas e tão importantes, estas Igrejas não foram senão uma só Igreja: a primeira, que foi fundada pelos apóstolos e é a origem de todas as outras. Assim, todas elas são primeiras e apostólicas, porque todas formam uma só. A comunhão na paz, a mesma linguagem da fraternidade e os laços de hospitalidade manifestam a sua unidade. Estes direitos só têm uma razão de ser: a unidade da mesma tradição sacramental[4].
Se quisermos saber o conteúdo da pregação dos apóstolos e, portanto, Jesus Cristo lhes revelou, é preciso recorrer a estas mesmas Igrejas fundadas pelos próprios apóstolos e às quais pregaram de viva voz, quer por seus escritos[5].
O Senhor realmente havia dito em certa ocasião: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora; e acrescentou: quando,porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade (Jo 16,12s). Com estas palavras revelou aos apóstolos que nada ficariam ignorando, porque prometeu-lhes o Espírito da Verdade que os levaria ao conhecimento da plena verdade. E, sem dúvida alguma, esta promessa foi cumprida, como provam os Atos dos Apóstolos ao narrarem a descida do Espírito Santo[6].
[1] Aqui Tertuliano radica a Tradição apostólica. Notem como o Evangelho de Cristo nunca foi visto na Igreja simplesmente como um texto escrito, mas sim, como um anúncio salvífico confiado por Cristo à Igreja e, especialmente, aos Doze. Este anúncio tem como conteúdo o próprio Cristo morto e ressuscitado por nós.
[2] “Igrejas” no plural é aquilo que hoje chamamos de “dioceses”.
[3] Notem como já desde o início do cristianismo, é de importância capital a fidelidade à continuidade que vem de Cristo por meio dos Doze e seus sucessores, que fundaram as Igrejas. É preciso dizer com toda franqueza: uma concepção de Igreja como a dos protestantes rompe completamente com o sentido de Igreja existente no Novo Testamento e na antiguidade cristã.
[4] Aqui aparece a importância da unidade da Igreja. Cristo fundou uma só Igreja e esta deve ser una e sacramento de unidade do gênero humano: una na fé, na disciplina sacramental, na caridade fraterna; una na Eucaristia e na unidade com os mesmos pastores, que têm como referência última neste mundo o Bispo de Roma.
[5] Outro dado importantíssimo: a fé da Igreja não pode nunca derivar de uma interpretação somente da Bíblia e, muito menos, de uma interpretação privada de algum iluminado excêntrico! A pregação funda-se na Tradição, seja na sua forma escrita (Bíblia), seja na sua forma oral (o complexo da vida de Igreja). Quem garante esta Tradição é o Espírito Santo, como está dito mais abaixo e quem a discerne com autoridade dada por Cristo são os Bispos em comunhão com o Bispo de Roma.
[6] Outra idéia preciosa: a fé da Igreja não é uma realidade enferrujada, fossilizada, como peça de museu. Ela evoluirá sempre, fiel às suas origens e sempre mais aprofundando o mistério de Cristo e suas conseqüências, nos confronto criativo com as novas realidades. Quem garante este processo, para que a evolução não se torne traição? O Espírito da Verdade Cristo prometeu e deu à sua Igreja. Que órgão é responsável para discernir tudo isso? O Magistério – Bispos em comunhão com o Papa - com a autoridade dada por Cristo. Como é belo ver neste texto do século III a consciência da nossa fé tão clara! Que pena que tantos, com a Escritura debaixo do braço estejam tão longe dessa percepção do que seja a Igreja autêntica!
Cristo Jesus, nosso Senhor, durante a sua vida terrena, ensinou quem era ele, quem tinha sido desde sempre, qual era a vontade do Pai que vinha cumprir e qual devia ser o comportamento do homem. Ensinava estas coisas ora em público, diante de todo o povo, ora em particular, aos seus discípulos. Dentre estes escolheu Doze para estarem a seu lado, e que destinou para serem os principais mestres das nações[1].
Quando, depois da sua ressurreição, estava prestes a voltar para o Pai, ordenou aos onze que fossem ensinar a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Imediatamente os apóstolos chamaram por sorteio a Matias como duodécimo para ocupar o lugar de Judas... Depois de receberem a força do Espírito Santo com o dom de falar e de realizar milagres, começaram a dar testemunho da fé em Jesus Cristo na Judéia, onde fundaram Igrejas[2]; partiram em seguida por todo o mundo, proclamando a mesma doutrina e a mesma fé entre os povos. Em cada cidade por onde passaram fundaram Igrejas, nas quais outras Igrejas que se fundaram e continuam a ser fundadas foram buscar mudas de fé e sementes de doutrina. Por esta razão, são também consideradas apostólicas, porque descendem das Igrejas dos apóstolos[3].
Toda família deve ser necessariamente considerada segundo sua origem. Por isso, apesar de serem tão numerosas e tão importantes, estas Igrejas não foram senão uma só Igreja: a primeira, que foi fundada pelos apóstolos e é a origem de todas as outras. Assim, todas elas são primeiras e apostólicas, porque todas formam uma só. A comunhão na paz, a mesma linguagem da fraternidade e os laços de hospitalidade manifestam a sua unidade. Estes direitos só têm uma razão de ser: a unidade da mesma tradição sacramental[4].
Se quisermos saber o conteúdo da pregação dos apóstolos e, portanto, Jesus Cristo lhes revelou, é preciso recorrer a estas mesmas Igrejas fundadas pelos próprios apóstolos e às quais pregaram de viva voz, quer por seus escritos[5].
O Senhor realmente havia dito em certa ocasião: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora; e acrescentou: quando,porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade (Jo 16,12s). Com estas palavras revelou aos apóstolos que nada ficariam ignorando, porque prometeu-lhes o Espírito da Verdade que os levaria ao conhecimento da plena verdade. E, sem dúvida alguma, esta promessa foi cumprida, como provam os Atos dos Apóstolos ao narrarem a descida do Espírito Santo[6].
[1] Aqui Tertuliano radica a Tradição apostólica. Notem como o Evangelho de Cristo nunca foi visto na Igreja simplesmente como um texto escrito, mas sim, como um anúncio salvífico confiado por Cristo à Igreja e, especialmente, aos Doze. Este anúncio tem como conteúdo o próprio Cristo morto e ressuscitado por nós.
[2] “Igrejas” no plural é aquilo que hoje chamamos de “dioceses”.
[3] Notem como já desde o início do cristianismo, é de importância capital a fidelidade à continuidade que vem de Cristo por meio dos Doze e seus sucessores, que fundaram as Igrejas. É preciso dizer com toda franqueza: uma concepção de Igreja como a dos protestantes rompe completamente com o sentido de Igreja existente no Novo Testamento e na antiguidade cristã.
[4] Aqui aparece a importância da unidade da Igreja. Cristo fundou uma só Igreja e esta deve ser una e sacramento de unidade do gênero humano: una na fé, na disciplina sacramental, na caridade fraterna; una na Eucaristia e na unidade com os mesmos pastores, que têm como referência última neste mundo o Bispo de Roma.
[5] Outro dado importantíssimo: a fé da Igreja não pode nunca derivar de uma interpretação somente da Bíblia e, muito menos, de uma interpretação privada de algum iluminado excêntrico! A pregação funda-se na Tradição, seja na sua forma escrita (Bíblia), seja na sua forma oral (o complexo da vida de Igreja). Quem garante esta Tradição é o Espírito Santo, como está dito mais abaixo e quem a discerne com autoridade dada por Cristo são os Bispos em comunhão com o Bispo de Roma.
[6] Outra idéia preciosa: a fé da Igreja não é uma realidade enferrujada, fossilizada, como peça de museu. Ela evoluirá sempre, fiel às suas origens e sempre mais aprofundando o mistério de Cristo e suas conseqüências, nos confronto criativo com as novas realidades. Quem garante este processo, para que a evolução não se torne traição? O Espírito da Verdade Cristo prometeu e deu à sua Igreja. Que órgão é responsável para discernir tudo isso? O Magistério – Bispos em comunhão com o Papa - com a autoridade dada por Cristo. Como é belo ver neste texto do século III a consciência da nossa fé tão clara! Que pena que tantos, com a Escritura debaixo do braço estejam tão longe dessa percepção do que seja a Igreja autêntica!
Tu és verdadeiramente Mãe de Deus, ó Virgem Maria
De São Cirilo de Alexandria
Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Realmente, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem Santíssima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora não usassem esta expressão. Assim fomos também instruídos pelos Santos Padres. Em particular, Santo Atanásio, nosso pai na fé, de ilustre memória, na terceira parte do livro que escreveu sobre a santa e consubstancial Trindade, dá frequentemente à virgem Santíssima o título de Mãe de Deus.
Vejo-me obrigado a citar aqui suas palavras, que têm o seguinte teor: “a Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador estas duas coisas: que ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é o Verbo do Pai, seu esplendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da virgem Maria, Mãe de Deus”.
E continua mais adiante: “Houve muitos que já nasceram santos e livres de todo pecado. Por exemplo: Jeremias foi santificado desde o seio materno; também João, antes de ser dado à luz, exultou de alegria ao ouvir a voz de Maria, Mãe de Deus”. (Observação minha: Aqui, São Cirilo e Santo Atanásio não estão afirmando que Jeremias e João Batista foram imaculados desde a conceição, como a Virgem Maria. Nossa Senhor foi imaculada desde o primeiríssimo momento da sua concepção. Esses dois profetas, concebidos como pecadores, forma purificados num determinado momento do período de gravidez. João, por exemplo, no sexto mês da gestação materna... A imaculada conceição diz respeito única e exclusivamente à Toda Santa Virgem Maria Mãe de Deus). Estas palavras são de um homem inteiramente digno de lhe darmos crédito, sem receio, e a quem podemos seguir com toda segurança. Com efeito, ele jamais pronunciou uma só palavra que fosse contrária às Sagradas Escrituras (Observação minha: É muito belo o elogio que São Cirilo faz ao seu antecessor na sede episcopal de Alexandria. De fato, Santo Atanásio foi o grande defensor da divindade de Cristo, contra a heresia ariana. Por isso mesmo, chegou a ser exilado de sua diocese cinco vezes pelo Imperador. E pensar que ignorante e espertalhão autor do Código da Vinci, afirma que foi o imperador quem forçou a proclamar Cristo como Deus. Mentira! Os bispos é que sofreram para defender, contra alguns imperadores, a verdadeira fé na divindade de Cristo).
De fato, a Escritura, verdadeiramente inspirada por Deus, afirma que o Verbo de Deus se fez carne, quer dizer, uniu-se à carne dotada de alma racional. Portanto, o Verbo de Deus assumiu a descendência de Abraão e, formando para si um corpo vindo de uma mulher, tornou-se participante da carne e do sangue. Assim, já não é somente Deus mas homem também, semelhante a nós, em virtude da sua união com a nossa natureza.
Por conseguinte, o Emanuel, Deus-conosco, possui duas realidades, isto é, a divindade e a humanidade. Todavia, é um só o Senhor Jesus Cristo, único e verdadeiro Filho por natureza, ainda que ao mesmo tempo Deus e homem. Não é apenas um homem divinizado, igual àqueles que pela graça se tornam participantes da natureza divina; (Observação minha: Aqui, São Cirilo refere-se ao cristão que, batizado, recebe o Espírito de Cristo e, como filho no filho Jesus, torna-se participante da natureza divina); mas é verdadeiro Deus, que para nossa salvação, se tornou visível em forma humana, conforme Paulo testemunha com as seguintes palavras: Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva (Gl 4,4-5).
Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Realmente, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem Santíssima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora não usassem esta expressão. Assim fomos também instruídos pelos Santos Padres. Em particular, Santo Atanásio, nosso pai na fé, de ilustre memória, na terceira parte do livro que escreveu sobre a santa e consubstancial Trindade, dá frequentemente à virgem Santíssima o título de Mãe de Deus.
Vejo-me obrigado a citar aqui suas palavras, que têm o seguinte teor: “a Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador estas duas coisas: que ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é o Verbo do Pai, seu esplendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da virgem Maria, Mãe de Deus”.
E continua mais adiante: “Houve muitos que já nasceram santos e livres de todo pecado. Por exemplo: Jeremias foi santificado desde o seio materno; também João, antes de ser dado à luz, exultou de alegria ao ouvir a voz de Maria, Mãe de Deus”. (Observação minha: Aqui, São Cirilo e Santo Atanásio não estão afirmando que Jeremias e João Batista foram imaculados desde a conceição, como a Virgem Maria. Nossa Senhor foi imaculada desde o primeiríssimo momento da sua concepção. Esses dois profetas, concebidos como pecadores, forma purificados num determinado momento do período de gravidez. João, por exemplo, no sexto mês da gestação materna... A imaculada conceição diz respeito única e exclusivamente à Toda Santa Virgem Maria Mãe de Deus). Estas palavras são de um homem inteiramente digno de lhe darmos crédito, sem receio, e a quem podemos seguir com toda segurança. Com efeito, ele jamais pronunciou uma só palavra que fosse contrária às Sagradas Escrituras (Observação minha: É muito belo o elogio que São Cirilo faz ao seu antecessor na sede episcopal de Alexandria. De fato, Santo Atanásio foi o grande defensor da divindade de Cristo, contra a heresia ariana. Por isso mesmo, chegou a ser exilado de sua diocese cinco vezes pelo Imperador. E pensar que ignorante e espertalhão autor do Código da Vinci, afirma que foi o imperador quem forçou a proclamar Cristo como Deus. Mentira! Os bispos é que sofreram para defender, contra alguns imperadores, a verdadeira fé na divindade de Cristo).
De fato, a Escritura, verdadeiramente inspirada por Deus, afirma que o Verbo de Deus se fez carne, quer dizer, uniu-se à carne dotada de alma racional. Portanto, o Verbo de Deus assumiu a descendência de Abraão e, formando para si um corpo vindo de uma mulher, tornou-se participante da carne e do sangue. Assim, já não é somente Deus mas homem também, semelhante a nós, em virtude da sua união com a nossa natureza.
Por conseguinte, o Emanuel, Deus-conosco, possui duas realidades, isto é, a divindade e a humanidade. Todavia, é um só o Senhor Jesus Cristo, único e verdadeiro Filho por natureza, ainda que ao mesmo tempo Deus e homem. Não é apenas um homem divinizado, igual àqueles que pela graça se tornam participantes da natureza divina; (Observação minha: Aqui, São Cirilo refere-se ao cristão que, batizado, recebe o Espírito de Cristo e, como filho no filho Jesus, torna-se participante da natureza divina); mas é verdadeiro Deus, que para nossa salvação, se tornou visível em forma humana, conforme Paulo testemunha com as seguintes palavras: Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva (Gl 4,4-5).
Sobre as tentações de Jesus
De Orígenes
A vida dos mortais está cheia de laços de escândalos e de redes de ilusões, armadas contra o gênero humano por aquele gigante caçador, inimigo do Senhor, que é chamado Nemrod. Quem é esse verdadeiro gigante senão o demônio, que se revolta contra o próprio Deus? Os laços das tentações e as armadilhas das insídias são, pois, chamadas redes do demônio. E porque o inimigo estendera essas redes em toda parte e apanhara quase todos, tornou-se necessário que aparecesse alguém mais forte e poderoso, que as pudesse romper e abrir o caminho para aqueles que o seguiam.
Eis porque o Salvador, antes de se unir à Igreja como Esposo, é tentado pelo demônio, para que, vencendo pela tentação as redes das tentações, olhasse e chamasse a si a Igreja, ensinando-lhe e mostrando-lhe que não se chega a Cristo pelo ócio e pelas delícias, mas por meio de muitas tribulações e tentações. Não havia, com efeito, outro que pudesse superar essas redes. Pois todos, como está escrito, pecaram (Rm 3,23); e de novo, como diz a Escritura: Não há nenhum justo sobre a terra, que faça o bem sem jamais pecar (Ecl 7,20); e ainda: “Ninguém está isento de pecado, nem mesmo se sua vida tiver durando um só dia”.
Somente Jesus, nosso Senhor e Salvador, não pecou; mas o Pai o fez pecado por nós (2Cor 5,21), enviando-o numa condição semelhante àquela da humanidade pecadora para, justamente por causa do pecado, condenar o pecado em nossa condição humana (cf. Rm 8,3). Entrou, pois, naquelas redes, mas foi o único que não pôde ser envolvido por elas; pelo contrário, tendo-as rompido e reduzido a pedaços, faz com que sua Igreja confie, para que ouse doravante romper os laços e ultrapassar as redes, dizendo com toda alegria: Nossa alma como um pássaro escapou do laço que lhe armara o caçador; rompeu-se o laço, e assim nós conseguimos libertar-nos (Sl 123/124,7).
Quem, pois, rompeu o laço senão o único que não podia permanecer prisioneiro? Embora tenha morrido, foi voluntariamente que morreu, e não como nós, por causa do pecado. Só ele foi livre entre os mortos. E, porque só ele foi livre entre os mortos, tendo vencido quem tinha o poder da morte, libertou os cativos que estavam retidos pela morte. Não só ressuscitou a si mesmo dos mortos, mas também despertou, ao mesmo tempo, os que estavam prisioneiros da morte, introduzindo-os nos céus. Subindo, pois, ao alto, levou consigo os cativos, não libertando apenas as almas, mas ressuscitando também os seus corpos, conforme atesta o Evangelho: Os corpos de muitos santos ressuscitaram e apareceram a muitos, e entraram na cidade santa do Deus vivo, Jerusalém (cf. Mt 27, 52.53).
A vida dos mortais está cheia de laços de escândalos e de redes de ilusões, armadas contra o gênero humano por aquele gigante caçador, inimigo do Senhor, que é chamado Nemrod. Quem é esse verdadeiro gigante senão o demônio, que se revolta contra o próprio Deus? Os laços das tentações e as armadilhas das insídias são, pois, chamadas redes do demônio. E porque o inimigo estendera essas redes em toda parte e apanhara quase todos, tornou-se necessário que aparecesse alguém mais forte e poderoso, que as pudesse romper e abrir o caminho para aqueles que o seguiam.
Eis porque o Salvador, antes de se unir à Igreja como Esposo, é tentado pelo demônio, para que, vencendo pela tentação as redes das tentações, olhasse e chamasse a si a Igreja, ensinando-lhe e mostrando-lhe que não se chega a Cristo pelo ócio e pelas delícias, mas por meio de muitas tribulações e tentações. Não havia, com efeito, outro que pudesse superar essas redes. Pois todos, como está escrito, pecaram (Rm 3,23); e de novo, como diz a Escritura: Não há nenhum justo sobre a terra, que faça o bem sem jamais pecar (Ecl 7,20); e ainda: “Ninguém está isento de pecado, nem mesmo se sua vida tiver durando um só dia”.
Somente Jesus, nosso Senhor e Salvador, não pecou; mas o Pai o fez pecado por nós (2Cor 5,21), enviando-o numa condição semelhante àquela da humanidade pecadora para, justamente por causa do pecado, condenar o pecado em nossa condição humana (cf. Rm 8,3). Entrou, pois, naquelas redes, mas foi o único que não pôde ser envolvido por elas; pelo contrário, tendo-as rompido e reduzido a pedaços, faz com que sua Igreja confie, para que ouse doravante romper os laços e ultrapassar as redes, dizendo com toda alegria: Nossa alma como um pássaro escapou do laço que lhe armara o caçador; rompeu-se o laço, e assim nós conseguimos libertar-nos (Sl 123/124,7).
Quem, pois, rompeu o laço senão o único que não podia permanecer prisioneiro? Embora tenha morrido, foi voluntariamente que morreu, e não como nós, por causa do pecado. Só ele foi livre entre os mortos. E, porque só ele foi livre entre os mortos, tendo vencido quem tinha o poder da morte, libertou os cativos que estavam retidos pela morte. Não só ressuscitou a si mesmo dos mortos, mas também despertou, ao mesmo tempo, os que estavam prisioneiros da morte, introduzindo-os nos céus. Subindo, pois, ao alto, levou consigo os cativos, não libertando apenas as almas, mas ressuscitando também os seus corpos, conforme atesta o Evangelho: Os corpos de muitos santos ressuscitaram e apareceram a muitos, e entraram na cidade santa do Deus vivo, Jerusalém (cf. Mt 27, 52.53).
O mistério da Páscoa do Senhor
De São Gregório Nazianzeno
É a Páscoa do Senhor! Festa das festas, solenidade das solenidades!
É a Páscoa do Senhor, a Páscoa do Senhor, direi outra vez em honra da Trindade: é a Páscoa do Senhor! Festa das festas, solenidade das solenidades, eleva-se, não somente acima das festas humanas e terrestres, mas até mesmo das que são de Cristo e se celebram em sua honra, assim como o sol que obscurece a luz das estrelas. Que belo espetáculo, o de ontem, das vestimentas alvas e das luzes, nossa obra, a um tempo pessoal e comum, quando homens de todas as condições e de todas as categorias iluminavam a noite com o fulgor das lâmpadas.
Essa imensa claridade assemelhava-se à luz ofuscante que o céu nos envia do alto como um sinal, iluminando o universo com o fulgor dos astros. A imagem dessa luz era também superior à beleza das estrelas, dos anjos e da Trindade – os anjos participando da luz da Trindade – luz indivisa da qual procede toda luz, comunicando-lhes o fulgor.
Mais brilhante e mais excelente é a solenidade de hoje. Pois a luz de ontem era o prenúncio desta grande luz que surge, era como o alegre prelúdio da festa. Hoje celebramos a própria ressurreição, não mais como esperança, mas como realidade, que atrai para si todo o universo.
Ontem, imolava-se o cordeiro; marcava-se com seu sangue os portais; o Egito chorava seus primogênitos; o Exterminador poupava-nos, diante de um sinal que respeitava e temia; um sangue precioso protegia-nos. Hoje, purificados, fugimos do Egito, do Faraó, cruel soberano, e de seus implacáveis feitores. Já não estamos condenados à argamassa e ao tijolo, e ninguém nos impedirá de celebrar, em honra do Senhor nosso Deus, o dia em que saímos do Egito, e de celebrá-lo não com o velho fermento nem com o fermento da maldade ou da iniqüidade, mas com os pães ázimos da sinceridade e da verdade (1Cor 5, 8).
Ontem, eu estava crucificado com Cristo; hoje, sou glorificado com ele. Ontem, eu estava sepultado com Cristo; hoje, saio com ele do túmulo. Levemos, pois, nossas primícias àquele que sofreu e ressuscitou por nós. Credes que falo aqui de ouro, prata, tecidos, pedras preciosas? Ó frágeis bens da terra! Eles não saem do solo senão para cair, quase sempre, nas mãos de celerados, escravos deste mundo e do Príncipe do mundo.
Ofereçamos nossas próprias pessoas, que são o presente mais precioso aos olhos de Deus e o mais próximo dele. Rendamos à sua imagem o que mais a ela se assemelha. Reconheçamos nossa grandeza, honremos nosso modelo, compreendamos a força desse mistério e as razões da morte de Cristo.
Sejamos como Cristo, pois Cristo foi como nós. Sejamos deuses para ele, pois ele se fez homem por nós. Ele tomou o pior, para dar-nos o melhor; ele se fez pobre, para nos enriquecer com sua pobreza; ele tomou a condição de escravo, para obter-nos a liberdade; ele se abaixou, para exaltar-nos; ele foi tentado, para nos ver triunfar; ele se fez desprezar, para nos cobrir de glória. Ele morreu, para salvar-nos. Ele subiu aos céus, para atrair-nos até ele, a nós que roláramos no abismo do pecado.
Demos tudo, ofereçamos tudo àquele que, por nossa causa, se deu a si mesmo como preço de nossa redenção. Não daremos nada de maior que nós mesmos, se compreendermos esses mistérios e nos tornarmos para ele tudo o que se tornou para nós.
É a Páscoa do Senhor! Festa das festas, solenidade das solenidades!
É a Páscoa do Senhor, a Páscoa do Senhor, direi outra vez em honra da Trindade: é a Páscoa do Senhor! Festa das festas, solenidade das solenidades, eleva-se, não somente acima das festas humanas e terrestres, mas até mesmo das que são de Cristo e se celebram em sua honra, assim como o sol que obscurece a luz das estrelas. Que belo espetáculo, o de ontem, das vestimentas alvas e das luzes, nossa obra, a um tempo pessoal e comum, quando homens de todas as condições e de todas as categorias iluminavam a noite com o fulgor das lâmpadas.
Essa imensa claridade assemelhava-se à luz ofuscante que o céu nos envia do alto como um sinal, iluminando o universo com o fulgor dos astros. A imagem dessa luz era também superior à beleza das estrelas, dos anjos e da Trindade – os anjos participando da luz da Trindade – luz indivisa da qual procede toda luz, comunicando-lhes o fulgor.
Mais brilhante e mais excelente é a solenidade de hoje. Pois a luz de ontem era o prenúncio desta grande luz que surge, era como o alegre prelúdio da festa. Hoje celebramos a própria ressurreição, não mais como esperança, mas como realidade, que atrai para si todo o universo.
Ontem, imolava-se o cordeiro; marcava-se com seu sangue os portais; o Egito chorava seus primogênitos; o Exterminador poupava-nos, diante de um sinal que respeitava e temia; um sangue precioso protegia-nos. Hoje, purificados, fugimos do Egito, do Faraó, cruel soberano, e de seus implacáveis feitores. Já não estamos condenados à argamassa e ao tijolo, e ninguém nos impedirá de celebrar, em honra do Senhor nosso Deus, o dia em que saímos do Egito, e de celebrá-lo não com o velho fermento nem com o fermento da maldade ou da iniqüidade, mas com os pães ázimos da sinceridade e da verdade (1Cor 5, 8).
Ontem, eu estava crucificado com Cristo; hoje, sou glorificado com ele. Ontem, eu estava sepultado com Cristo; hoje, saio com ele do túmulo. Levemos, pois, nossas primícias àquele que sofreu e ressuscitou por nós. Credes que falo aqui de ouro, prata, tecidos, pedras preciosas? Ó frágeis bens da terra! Eles não saem do solo senão para cair, quase sempre, nas mãos de celerados, escravos deste mundo e do Príncipe do mundo.
Ofereçamos nossas próprias pessoas, que são o presente mais precioso aos olhos de Deus e o mais próximo dele. Rendamos à sua imagem o que mais a ela se assemelha. Reconheçamos nossa grandeza, honremos nosso modelo, compreendamos a força desse mistério e as razões da morte de Cristo.
Sejamos como Cristo, pois Cristo foi como nós. Sejamos deuses para ele, pois ele se fez homem por nós. Ele tomou o pior, para dar-nos o melhor; ele se fez pobre, para nos enriquecer com sua pobreza; ele tomou a condição de escravo, para obter-nos a liberdade; ele se abaixou, para exaltar-nos; ele foi tentado, para nos ver triunfar; ele se fez desprezar, para nos cobrir de glória. Ele morreu, para salvar-nos. Ele subiu aos céus, para atrair-nos até ele, a nós que roláramos no abismo do pecado.
Demos tudo, ofereçamos tudo àquele que, por nossa causa, se deu a si mesmo como preço de nossa redenção. Não daremos nada de maior que nós mesmos, se compreendermos esses mistérios e nos tornarmos para ele tudo o que se tornou para nós.
No corpo de Cristo, vos tornastes agora membros de Cristo
De Santo Agostino
O ministério da Palavra e o cuidado com que vos geramos para que Cristo se forme em vós, nos levam a vos dizer o que seja este sacramento tão grande e tão divino, este remédio tão célebre e nobre, este sacrifício tão puro e tão fácil. Já não é mais em uma única cidade terrestre, Jerusalém, nem mais no tabernáculo construído por Moisés, nem no templo erguido por Salomão – tudo isso não era senão sombra de realidades futuras – mas é do nascer do sol até o seu ocaso (Sl 112/113,3; Ml 1,11), como predisseram os Profetas, que se imola e se oferece a Deus a vítima de louvor, segundo a graça do Novo Testamento.
Já não se vai mais buscar entre o rebanho uma vítima sangrenta, já não nos aproximamos do altar com uma ovelha, mas, de agora em diante, o sacrifício de nosso tempo é o corpo e o sangue do próprio sacerdote. Foi deste sacerdote que se predisse no salmo: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedeque” (Sl 109/110,4). Ora, lemos no Gêneses e bem sabemos que Melquisedeque, sacerdote do Altíssimo, ofereceu pão e vinho (cf. Gn 14,18), quando abençoou nosso pai Abraão.
Cristo, nosso Senhor, que ofereceu, ao sofrer por nós, o que recebera ao nascer por nós, estabelecido sacerdote para a eternidade, instituiu o sacrifício do seu corpo e do seu sangue. Porque seu corpo, traspassado pela lança, deixou correr a água e o sangue pelo qual remiu nossos pecados. Lembrando-vos desta graça, realizando a vossa salvação com temor e tremor – pois é Deus que em vós opera – vós vos aproximais para participar deste altar. Reconhecei no pão o que pendeu da cruz, no cálice o que escorreu do lado aberto. Os antigos sacrifícios do povo de Deus significavam, em sua múltipla variedade, o único sacrifício que havia de vir. E tudo o que foi anunciado de modo múltiplo e diverso nos sacrifícios do Antigo Testamento, se relaciona com o sacrifício único, revelado no Novo.
Recebei, pois, e comei o corpo de Cristo, uma vez que, no corpo de Cristo, vos tornastes agora membros de Cristo. Recebei e bebei o sangue de Cristo. Para que não vos deixeis dispersar, comei aquele que é o vosso vínculo; para não parecerdes sem valor aos vossos próprios olhos, bebei aquele que é o preço pelo qual fostes resgatados. Quando comeis este alimento e bebeis esta bebida, eles se transformam em vós; assim vós também sois transformados no corpo de Cristo, se viveis na obediência e no fervor. Se tendes a vida nele, sereis com ele uma só carne. Porque este sacramento não vos apresenta o corpo de Cristo para dele vos separar. O Apóstolo nos lembra que isto foi predito na Sagrada Escritura: Os dois serão uma só carne. Este mistério é grande – eu digo isto com referência a Cristo e à Igreja (Ef 5,32).
Em outro lugar foi dito a respeito da própria eucaristia: Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo (1Cor 10,17). Começais, pois, a receber o que começastes a ser.
O ministério da Palavra e o cuidado com que vos geramos para que Cristo se forme em vós, nos levam a vos dizer o que seja este sacramento tão grande e tão divino, este remédio tão célebre e nobre, este sacrifício tão puro e tão fácil. Já não é mais em uma única cidade terrestre, Jerusalém, nem mais no tabernáculo construído por Moisés, nem no templo erguido por Salomão – tudo isso não era senão sombra de realidades futuras – mas é do nascer do sol até o seu ocaso (Sl 112/113,3; Ml 1,11), como predisseram os Profetas, que se imola e se oferece a Deus a vítima de louvor, segundo a graça do Novo Testamento.
Já não se vai mais buscar entre o rebanho uma vítima sangrenta, já não nos aproximamos do altar com uma ovelha, mas, de agora em diante, o sacrifício de nosso tempo é o corpo e o sangue do próprio sacerdote. Foi deste sacerdote que se predisse no salmo: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedeque” (Sl 109/110,4). Ora, lemos no Gêneses e bem sabemos que Melquisedeque, sacerdote do Altíssimo, ofereceu pão e vinho (cf. Gn 14,18), quando abençoou nosso pai Abraão.
Cristo, nosso Senhor, que ofereceu, ao sofrer por nós, o que recebera ao nascer por nós, estabelecido sacerdote para a eternidade, instituiu o sacrifício do seu corpo e do seu sangue. Porque seu corpo, traspassado pela lança, deixou correr a água e o sangue pelo qual remiu nossos pecados. Lembrando-vos desta graça, realizando a vossa salvação com temor e tremor – pois é Deus que em vós opera – vós vos aproximais para participar deste altar. Reconhecei no pão o que pendeu da cruz, no cálice o que escorreu do lado aberto. Os antigos sacrifícios do povo de Deus significavam, em sua múltipla variedade, o único sacrifício que havia de vir. E tudo o que foi anunciado de modo múltiplo e diverso nos sacrifícios do Antigo Testamento, se relaciona com o sacrifício único, revelado no Novo.
Recebei, pois, e comei o corpo de Cristo, uma vez que, no corpo de Cristo, vos tornastes agora membros de Cristo. Recebei e bebei o sangue de Cristo. Para que não vos deixeis dispersar, comei aquele que é o vosso vínculo; para não parecerdes sem valor aos vossos próprios olhos, bebei aquele que é o preço pelo qual fostes resgatados. Quando comeis este alimento e bebeis esta bebida, eles se transformam em vós; assim vós também sois transformados no corpo de Cristo, se viveis na obediência e no fervor. Se tendes a vida nele, sereis com ele uma só carne. Porque este sacramento não vos apresenta o corpo de Cristo para dele vos separar. O Apóstolo nos lembra que isto foi predito na Sagrada Escritura: Os dois serão uma só carne. Este mistério é grande – eu digo isto com referência a Cristo e à Igreja (Ef 5,32).
Em outro lugar foi dito a respeito da própria eucaristia: Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo (1Cor 10,17). Começais, pois, a receber o que começastes a ser.